O Bosque e a fórmula de suspense que agrada na Netflix

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Recém chegada no catálogo da Netflix em julho, a produção francesa ‘O Bosque’ (título original La Forêt), chega como mais uma fórmula de suspense que funciona dentro das últimas aquisições do serviço de streaming. A história gira em torno de uma adolescente (Jennifer) que desaparece em uma floresta (ou no tal bosque) próxima a uma pequena cidade na França.

O Bosque
La Forêt / Divulgação

Estamos acostumados com as produções norte americanas e logo no primeiro episódio percebemos grandes diferenças com relação ao roteiro francês e a forma de atuação/expressão de emoção dos personagens envolvidos, que visivelmente, são mais frios. O desaparecimento de Jennifer que envolve questões familiares e morais, seria emocionalmente mais forte se retratado em um ambiente americano, por exemplo. Porém, como sabemos que a trama está inserida em outra cultura, isso não é um problema para o desenvolvimento da série.

O Bosque
La Forêt / Divulgação

O que inicialmente me pareceu um clichê de desaparecimento ligado a algum mistério sobrenatural ou científico (se você assistiu Dark, sabe bem do que eu estou falando), acabou me surpreendendo por tomar uma direção um tanto quanto inesperada na resolução do caso, que inclusive, acaba trazendo a tona outros problemas que são priorizados na série também.

Investigação Racional

Gaspard e Virginie são os policiais protagonistas nas investigações. Além do desaparecimento de Jennifer outros casos ligados são reportados e o rumo das buscas é trabalhar como se todos estivessem interligados. Mas será que estão mesmo? O questionamento surge a medida que a série avança e pessoas mais próximas aos policiais começam a serem envolvidas e suspeitas.

O ponto racional fala alto nesses dois personagens, Virginie se mostra uma mulher extremamente forte na maioria das vezes e eu sinceramente não sei até que ponto isso seria possível ou até onde ela deveria está envolvida nas investigações. Gaspard me despertou bastante curiosidade no início, sempre olhei para o personagem achando que ele seria uma grande peça no decorrer da história e isso me prendia muito em cada episódio, ainda sem saber se ele seria um herói, um vilão ou apenas mais um personagem.

Crises Adolescentes

Apesar da série se passar em um ambiente adolescente, ela foge do padrão ‘high school’ tradicional norte americano. O foco é no drama de cada personagem em si, sem explorar muito a temática escolar.

Sem fugir dos problemas clichês adolescentes, O Bosque trás relacionamentos, sexo, drogas, problemas familiares como temas a serem vividos e discutidos no decorrer da série. É tudo bem realista, nada além do que já estamos acostumados a ver tanto na ficção quanto na vida real.

Os dramas adolescentes ganham um desfecho ao longo dos seis episódios, mesmo não deixando explícito o motivo pelos quais alguns personagens se envolveram em determinadas situações.

Intuição x Possibilidades

O Bosque tem um roteiro objetivo, mesmo a série dando voltas em algumas situações (colocadas como principais) diferentes. Ève Mendel, foi a personagem que faz isso variar as vezes, quando para ela a intuição fala mais alto do que reais possibilidades.

É nessa parte que o roteiro peca um pouco, na minha opinião. Tudo em volta de Ève parece ‘brotar do nada’, o ‘sexto sentido’ da personagem é tão certeiro que chega a ser inviável (lembrando que a série é uma ficção, mas ambientadas em coisas reais). Onde a investigação ainda segue sem rumo, as ideias/intenções de Ève aparecem para mostrar o caminho certo.

No final da série, algo aparece para justificar toda essa sensibilidade da personagem, o que distancia a ideia de que nada foi por acaso, mas ainda assim aquela sensação de que a dosagem de ‘coincidências’ poderia ter sido menor, permaneceu.

A fórmula que funciona

O Bosque não é a primeira série de suspense apresentada pela Netflix, que funciona. A jogada do roteiro mais lento, da curiosidade adiante, mistura de gêneros e dramas que prendem o público é certeira.

A experiência visual e sensorial também te asseguram uma boa experiência diante dos temas abordados. Não temos em O Bosque nada inovador, é uma série de estereótipos e clichês que dão certo e te fazem começar, acompanhar e querer terminar.

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